Soajo, fica no Parque Nacional Peneda-Gerês, concelho de Arcos de Valdevez,
distrito de Viana do Castelo.
Uma pitoresca aldeia, toda ela pavimentada de lajes de granito ladeadas por casas construídas em
blocos de pedra.


Os habitantes desta região eram designados por monteiros, devido à sua virtude
na actividade da caça. Capturavam ursos “fofinhos”, javalis mal cheirosos,
cabras-bravas, lobos lindos e raposas matreiras.

O nosso Rei “o Lavrador”, que é como quem diz D. Dinis, recebeu uma queixa daqueles monteiros sobre os abusos dos fidalgos.
O monarca, sempre mais próximo das gentes que das elites de penacho, terá dado ordens à fidalguia para que estes
naquelas bandas não se demorassem mais do que
“o tempo de esfriar um pão na ponta de uma lança”.


Há quem defenda que é deste detalhe da História que terá nascido a curiosa forma do
pelourinho erigido no largo principal da aldeia.
A coluna simboliza uma lança e a pedra um pão.

 
A aldeia tem uma zona repleta de espigueiros. O mais antigo tem a data de 1782.

Foram construidos em granito na altura em que o cultivo do milho estava em altas.
Serviam para proteger o cereal das tempestades e dos animais roedores
As  paredes tem umas rachas  para que o ar circule através das espigas empilhadas. No topo são geralmente rematados por uma
cruz, 
que significa a invocação divina para a protecção dos cereais.
Parte destes espigueiros são ainda hoje utilizados pelas gentes da terra.


Bem pertinho desta zona de espigueiros há um restaurante onde se come deliciosamente
– 
“Espigueiro do Soajo” – tudo a condizer com a zona e fácil de localizar.
Atendimento exemplar e eficaz.


Tem ainda um sistema de habitat muito curioso para os tempos que correm.
Antigamente havia as “Brandas” e “Inverneiras”.
Um marco referencial da maior singularidade e interesse.
As Inverneiras eram de cariz mais permanenteonde a família passava o inverno.

Localizam-se em vales, ou seja em altitudes baixas. No principio do Outono, as famílias faziam a
caminhada até essas casas, aí permanecendo até Março
As Brandas eram zonas com um espaço para um uso mais sazonal, com uma ocupação secundária,
ligada sobretudo aos usos agrícolas e pastorais do Verão. Aí viviam  as famílias a partir de Março.


Resumidamente, punham tudo às costas e faziam léguas e léguas até chegarem “a casa”.
Quando digo tudo, era mesmo tudo.
Desde camas, gado, moveis, tudo o que existe numa casa.

Hoje em dia, poucas aldeias mantêm a tradição.
Apenas levam os animais e algumas coisas ao contrario de antigamente.
As Brandas e as Inverneiras são, sem dúvida, um elemento importante da cultura da população deste território


Coordenadas GPS
41°52’25.76″N  | 08°15’51.33″W


 Sugestões

– Visitar os espigueiros, é um lugar amplo e uma vista bem bonita.

Obrigatório visitar o museu da aldeia para perceber e ficar a conhecer os costumes da terra. 

 

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