Ermida – Branda de Bilhares, fica na freguesia de Lindoso no concelho de Ponte da
Barca
e tem… 61 habitantes.
Uma aldeia pequenina, deserta, que nos aparece tão perdida que mal se ouvem os cães a ladrar ou os passarinhos.


Em 1981, foi encontrada uma escultura pré-histórica – uma estátua-menir – hoje exposta no museu.
Uma marca de um modo de vida comunitário que perdurou ao longo de séculos.
Do espólio que chegou até nós, restam

duas esculturas milenares, consideradas património nacional: a Pedra dos Namorados e a
Estátua Menir da Ermida.


Menir
Na pré-história, provavelmente, começaram por levantar uma coluna, em honra de um deus ou de
um acontecimento importante.
A maioria dos historiadores relacionam estas pedras com:

Cultos da fecundidade (menir isolado)
Marcos territoriais (menir isolado)
Orientadores de locais (menires isolados e em linha)
Santuários religiosos (menires em círculo)

Pedras cravadas verticalmente no solo, às vezes enormes (megalito, denominado menir), que chegam a pesar mais de três
toneladas. Acredita-se que não poderiam ter sido transportadas sem o conhecimento da alavanca.
Eu acredito que foi o Hércules ! 
Estas pedras sagradas (os menires) deram origem às colunas.

Mal entrei na aldeia fui recebida por uma criança de palmo e meio com uma rã na mão.
Perguntou-me se lhe queria fazer uma festinha da rã e ensinou-me que não se pode destruir a natureza.
Algo com que fiquei admirada, visto que hoje em dia miúdos da idade do Daniel não têm
essas abordagens, na primeira linha de uma conversa.


Daniel é o único habitante da sua idade (9 anos) na aldeia. Entusiasmado por ir para a escola, quer
ser igual ao pai quando for grande. Quer tomar conta do gado. Já o faz, mas quer dominar a arte.
Passa os dias a andar de bicicleta e diz que persegue todos os turistas que ali passam.
De facto, Dani,como gosta que lhe chamem, ofereceu-me
uma visita guiada à aldeia.
Mostrou-me o museu, (foi ao vizinho buscar as chaves),  os terrenos de família, o gado e iniciou-me nas coisas do campo.


Assim que avistou umas moscas manhhosas enormes nas vacas, alertou-me que mordiam e adiantou-me que não se podiam apanhar amoras porque seríamos picados por abelhas.
Ficou admirado e alertado, com a ousadia em ir apanhar amoras, mesmo depois do cauteloso aviso.
Mas não disse que não, quando lhe deram uma a provar. Esperto! 

Fiquei maravilhada com a educação e o imaginário do Daniel, não é fácil não ter ninguém
para brincar, mas ele inventa
histórias e sente-se feliz, na aldeia de Ermida


No início da visita guiada pensei, lá vou eu que ter que dar umas moedas pela visita, mas
não… Simplesmente se despediu a
dizer que já era hora de almoçar e que tinha gostado muito daquele bocadinho.

Para aquela criança, o nosso encontro foi provavelmente o ponto mais alto do seu dia,
para mim o mais valioso,
foi o tempo que me dedicou, o entusiasmo que me transmitiu e o privilégio de o
ter conhecido.


Sugestões

– Visitar o museu onde se encontra os menires

– Explorar a aldeia

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